Um post pro menino que eu vi no ônibus - BEDA 2017

23/08/2017

Dia 23
Also Known As "eventualmente todo mundo tem um crush no transporte público"

Furei o BEDA nos dias 20, 21 e 22 por motivos de: eu estava morrendo. Meu pai teve uma intoxicação alimentar, depois minha mãe também teve e por fim a doença chegou em mim. Passei o domingo na posição horizontal e sem comer nada por medo de vomitar + preguiça de ir ao médico e passar por todos aqueles procedimentos quando tudo o que eu precisava era soro. Sim, um grande vacilo meu não ter procurado um hospital. Mas agora está todo mundo bem e devidamente hidratado (Gatorade, se vocês quiserem me patrocinar, estou aberta à propostas). 

O dia começou com tudo dando errado. Eu tinha planejado sair no carro, passar em um centro comercial, estacionar o carro na faculdade porque no horário da minha aula só tem vagas difíceis e eu não sei estacionar e ir trabalhar. Eis que o carro - o pivô de toda a programação do meu dia - resolveu pifar e eu saí correndo e atrasada pra tudo.

Entrei no ônibus praguejando todas as marcas de bateria pra carro, até que, em determinado ponto, um rapaz sentou do meu lado e começou a desenhar.

Aquilo me inspirou de um jeito tão forte, tão positivo, que eu mal consigo descrever.

Juro que o ar ficou mais puro e eu respirei melhor, consegui enxergar beleza na multidão de pessoas que se empurravam nas calçadas e nas buzinas enfurecidas dos motoristas apressados. Olhei pro rapaz, ele continuava desenhando, concentrado. O desenho não tinha nada a ver com os desenhos que eu fazia na época das aulas de artes: ele tinha um rabisco enfurecido, porém preciso, que ocupava todos os cantos da folha. A parte branca, não rabiscada, formava o desenho. A ausência virava presença em um simples toque da caneta no papel.

Imaginei como seria se ele me entregasse aquele desenho com o número dele rabiscado em um cantinho. Eu teria ligado, teria falado que o desenho era lindo e que aquilo tinha me inspirado. Contaria pra ele como aquilo melhorou o meu dia. E se ele fosse minha alma gêmea? Renderia uma boa história para contar nas reuniões de família.

Talvez eu tenha uma queda por caras barbudos que usam camisas xadrez de gosto duvidoso, talvez eu só tenha uma queda por caras que produzem arte de alguma forma, talvez eu só estivesse carente no meio de um dia ruim.

E aí eu desci do ônibus, assim como em todas aquelas tirinhas que aparecem na timeline do Facebook. Fiquei pensando na quantidade de amores que já perdi por medo de começar uma conversa.

Foto do projeto Last Night at the Bus Stop
Vejo vocês amanhã.

3 comentários:

  1. sempre existe um carinha do ônibus na vida da gente né, imagina que legal seria se vocês conversassem e desse certo, já até consigo imaginar <3

    Blog Entre Ver e Viver

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  2. Eu já tive vários crushes no transporte público, inclusive já fiz um poeminha sobre e a parte que mais gosto é:

    Idealizamos a forma
    Que queremos que seja
    Sem nos darmos conta
    De que o outro é incerteza

    E é isso, acho que a mágica está em não saber nada sobre a pessoa, as vezes depois que conhecemos tudo passa né?

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  3. Ai, esses amores nao-acontecidos são tão bonitos, né? Ficam envoltos numa ilusão tão cativante *-* aiai

    Com amor,
    Bruna Morgan

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