27/03/2017

Lollapalapsos 2017: o que eu achei do Lolla


Mais um ano e mais um festival que a gente assiste pela TV. Infinitos agradecimentos ao Multishow e ao Canal Bis que nos proporcionaram as transmissões ao vivo dos shows (inclusive pela internet, que é bem melhor do que assistir pela TV).

Hoje vou fazer minha seleção particular do Lollapalloza de 2017. Lembrando que estou apenas expondo minha opinião. Não sou nenhuma crítica musical de sucesso, etc.

Melhor Show - Cage The Elephant


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CTE ganhou meu coração (e um Grammy) com o CD que eles lançaram no ano passado, o Tell Me I'm Pretty. Eu já sabia que os caras eram bons ao vivo, mas não imaginava que eles iam fazer um show tão intenso. Claramente a banda estava se divertindo tanto quanto a plateia (sem contar no show a parte que é Matt Shultz, que tirou a blusa, tirou os sapatos, ficou em pé em cima do povão e deu um super trabalho pros seguranças que já não aguentavam mais ficar correndo atrás dele).

Show que mais me surpreendeu - The Weeknd

 

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Eu já tinha tentado ouvir o Starboy do The Weeknd, mas a música dele nunca tinha me descido bem. Isso, é claro, até eu ver esse show. O cara me surpreendeu tanto em questão de canto, quanto em questão de performance.: cantou muito bem, não demandou uma superprodução pra prender o publico e o show foi muito  bom. Mudei meus conceitos sobre o cara e agora só fico mexendo os bracinhos e cantarolando "I'm a motherfuckin' starboy". Fora os memes sobre a filha-da-puta-cabeçuda-te-amo Selena Gomez, que veio junto com o boy pra aproveitar o festival.

Bandinha que eu não conhecia, mas curti - Glass Animals


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Vi um trechinho do show na edição comentada do Multishow e resolvi pesquisar o show completo no YouTube. E não é que eu gostei? Os caras entregam um com show ao vivo, com umas baladinhas indies bem gostosinhas de ouvir. Vale a pena conferir.

Show "wtf?" - Melanie Martinez

 
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 Nunca fui a entusiasta das músicas da Melanie, ainda mais depois daquelas polêmicas sobre ela sensualizar uma imagem infantil, etc. Tirando algumas desafinadas, o que eu considero ser até normal, o show foi bom. O que me deixou meio espantada foram as fantasias do público e o quanto eles ficaram histéricos quando ela subiu no palco. Tinha gente se matando de tanto chorar e gritar. Levemente assustador.

Show "mais do mesmo" - Metallica 


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Metallica é uma boa banda ao vivo e todo nós já sabemos disso pelos vários shows que eles já fizeram no Brasil. Em todos os shows, dá pra sentir a energia que a banda passa, mesmo que você esteja assistindo pela TV. Acontece que Metallica caiu naquela parte do gráfico em que tudo tende à constância. Mesmo com as músicas novas, a sonoridade e a performance da banda continuam sendo as mesmas. É um show que, sim, compensa o ingresso. Mas não vá esperando nada além do que já foi mostrado.


Pior Show - The Strokes


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Ai The Strokes, o que posso falar de você? Depois de ter assistido ao show do Cage The Elephant, The Weeknd e tantos outros shows bons do festival, ficou difícil entender porque o Strokes ganhou a posição de headline. Julian ficou parado a maior parte do tempo e, mesmo assim, parecia não te fôlego suficiente pra cantar as músicas. A banda não tocou os sucessos que todos estavam esperando, como You Only Live Once e Under Cover of Darkness. Mesmo assim, tinha alguns fãs enlouquecidos dizendo que Julian cantou muito bem e que o show foi ótimo, claramente uma oportunidade pros otorrinolaringologistas de plantão.

Melhor pessoa do festival - Titi Müller

 

Titi Müller deu uma lavada num DJ machista e deixou um recado: MACHISTAS NÃO PASSARÃO! O discurso dela fez com que a direção do canal BIS cancelasse a exibição do show do cara. Depois, quando perguntaram pra ela sobre a repercussão ela soltou um "sério que o que eu falei foi tão fora do comum assim?". Achei lindo. Um beijo Titi!

 

Melhor matéria sobre o festival: Você ia no Ratinho jovem?


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A galera do portal Vírgula catou uma foto jovem do apresentador Ratinho e saíram pelo Lolla perguntavam se o pessoal catava ele. Eles ainda disseram que "Carlos Massa exibia uma cabeleira digna de um integrante dos Strokes e roupas que não ficariam deslocadas no armário do Arctic Monkeys.". Clica aqui pra ver a matéria e saber quem tava a fim de levar o Ratinho pro cantão.

E essas foram minhas considerações sobre esse festival dos jovens hipster que todo mundo ama odiar ou odeia amar. Deixa nos comentários a sua opinião sobre os shows e se inscreve na newsletter pra receber minhas divagações no seu e-mails.

Beijos hipsters.

14/03/2017

Jake Bugg - 11/03/2017




Logo nos meus primeiros dias de trabalho no meu emprego atual, conheci uma estagiária muito legal que gostava de conversar comigo sobre livros e músicas. Um dia, enquanto nós estávamos dedicadas ao exercício de exaltar a música britânica, ela me fez a seguinte pergunta:

Você já ouviu Jake Bugg?

Eu disse que não, ela disse pra eu ouvir. Isso voltou pra minha mente quando, ouvindo a trilha sonora de A Culpa É Das Estrelas, reconheci o tal menino Jake cantando Simple as This. Ouvi a discografia do cara e foi amor à primeira vista.

Acompanhei o lançamento do CD novo dele (inclusive, anotei a data na minha agenda) e vivi os últimos dois anos vendo cada música dele se impregnar em cada linha da minha história. Percebi o quanto ele cresceu musicalmente e me apaixonei por cada letra de cada música que ele já tinha escrito. Acompanhei a vida dele da maneira mais natural possível e foi quase como se eu estivesse ali, do ladinho dele, compartilhando cada experiência.


Observei uma vontade louca de mudar nascer bem no meio da minha rotina, fui numa festa na casa de um grupo de gangsters onde todo mundo tinha uma faca, vi umas coisas erradas no mundo, percebi o quão frustrante é não corresponder às expectativas de alguém que você ama, desapaixonei, apaixonei outra vez, me vi descrita em alguns versos e fiquei maravilhada com a beleza da arte, mesmo nos momentos de maior sofrimento.

Quando eu olho pro Jake e pros amigos de banda dele, sinto como se estivesse passando o tempo com uns amigos. Talvez seja porque eles são muito simpáticos (e muito zoeiros, mesmo que de um jeito sutil) ou talvez eu seja só mais uma fã louca que acha que consegue enxergar o ídolo mais do que todo mundo.

No final do ano passado, a Queremos! anunciou que ia trazer o Jake pra fazer três shows no Brasil. Pra mim, ir nesse show era tão possível quanto escalar o Monte Everest de biquíni. Sorte minha (e do resto da humanidade) que Shonda Rhimes existe pra escrever livros inspiradores como O Ano Em Que Disse Sim, que fazem a gente refletir sobre a nossa vida e começar a correr atrás dos nossos sonhos.


Quando paro pra pensar nisso, percebo que parte mais difícil foi destruir a barreira que eu criei dentro da minha mente, que me dizia o tempo todo que ir nesse show era impossível. Foi muito simples comprar o ingresso e ir. Deixo aqui meus agradecimentos à Stephanie que topou encarar essa e dividiu o quarto dela comigo mais uma vez (sigam a Teeh no Twitter e visitem o blog dela, ela é muito legal). 

Quando saí do show, finalmente percebi porque essa geração da internet vive nos dizendo pra gastar dinheiro com experiências, não com coisas. Não tenho palavras pra descrever o que eu senti durante o show, nem a emoção de ver ele tocando ao vivo. Agora sou testemunha de que os sonhos podem ser vividos e que é possível colocar amor nas coisas que a gente faz. Senti esse amor em cada nota, a intensidade de alguém que faz aquilo que ama. Foi uma das coisas mais incríveis que já vivi.

Pra quem quer saber da música, só posso dizer que o Jake é tudo aquilo o que tem no CD e um pouco mais. Ele consegue reproduzir as músicas perfeitamente só com um microfone e com um violão. A banda dele é igualmente talentosa. O diferencial é a emoção do momento. Garanto que nunca mais vou ouvir os CDs do Jake da mesma forma.


Eu não tive ânimo pra correr atrás dele e da equipe, descobrir em qual hotel estavam, esperá-lo no aeroporto nem nada disso, mas continuo sonhando com o dia em que vou sentar num canto qualquer e bater um longo papo sobre qualquer coisa enquanto a gente toma uma breja: eu, Jake, Tom, Jack e Mike. Até ontem, ir nesse show parecia um sonho tão distante quanto esse, então por que não sonhar mais?

Tenho orgulho de dizer que todas as fotos maravilhosas desse post foram tiradas por mim e que eu estava chorando horrores quando gravei esse vídeo dele sorrindo.

Come back soon, Jake. You'll be aways welcome. 

And, please, let us know if you liked catuaba.

08/03/2017

Segura o cão

Meu vizinho tem um cachorro.

Eu nunca entrei na casa do meu vizinho (nem pretendo fazê-lo), então não sei se ele tem espaço suficiente pra ter um cachorro. O que eu sei é que, quando tenho a rara oportunidade de chegar em casa mais cedo, vejo que ele colocou o cachorro do lado de fora, preso no muro por uma corrente.

O tal do cachorro é um pinscher, que não leva a fama de estressadinho à toa. O cachorro late furiosamente pra toda e qualquer pessoa que passa na frente dele. Na maioria das vezes em que eu estou nessa situação, prefiro ignorar a existência dele, me contentando em olhar rápida e sorrateiramente na direção dele até ver o brilho da corrente. Não que eu tenha medo de um cachorrinho pinscher, mas não sou fã do constrangimento de ver todas as pessoas da rua olhando na minha direção enquanto um cachorro furioso tenta pular nos meus tornozelos. Prefiro me poupar do ridículo.

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Mas o fato de eu não olhar pra ele tem muito mais a ver com os donos do que com o cachorro em si. Eu gosto de cachorrinhos, mesmo que eles estejam latindo como se fossem ter um ataque, mas não me permito olhar na direção dele muito tempo porque meus vizinhos são aquele tipo de pessoa que vai esbravejar "O que você tá olhando aqui? Cuida da tua vida!" mesmo que meu interesse esteja direcionado exclusivamente pro cachorro e não pras particularidades da vida deles.

Aconteceu que, na semana passada, aconteceram dois milagres simultâneos: cheguei mais cedo em casa e os vizinhos não estavam por perto, de forma que pude observar o cachorro com mais atenção.

Percebi que a corrente que prendia ele ao muro era enorme, o cachorro facilmente conseguiria correr até o meio da rua se ele quisesse. Mesmo assim, ele continuava bravejando seus latidos indignados bem coladinho com o muro. Quando olhei diretamente pro olhinhos dele, percebi um leve movimento de patinhas pra trás, como quem diz "cai pra mão" mas continua recuando.

Me rendeu uma ótima metáfora pra vida.

Sei que esse post é estranho, mas esse cachorrinho ficou na minha cabeça durante uns bons dias e eu tinha que escrever sobre ele. Também sei que as vezes as coisas só fazem sentido dentro da minha cabeça. Não desistam de mim.
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