Lagartixas Lazarentas

Terça-feira passada eu ainda estava de férias da faculdade. Cheguei em casa depois de vender a alma em troca de dinheiro (trabalhar, o nome) e fui pro meu quarto. Eu tinha comprado alguns pares de tênis naquelas promoções "4 tênis por 170 reais" e eles estavam devidamente empilhados do lado do meu guarda roupa. Até aí, tudo em paz. A vida podia ter continuado a ser assim, se não fosse o bichinho lazarento que saiu do meio das caixas. Sim, estou falando de uma lagartixa. Pequenininha, preta, com os olhos saltados, pronta pra subir no teto e cair em cima de mim enquanto eu estivesse dormindo. Ou me passar doenças. Ou colocar fogo na casa e me levar pro inferno.

UM AVISO
Eu tenho medo real oficial de lagartixas. Não é medo do tipo "tenho nojinho". É medo do tipo gritar e ter ataques de pânico. Se você é daquele tipo de pessoa que vai comentar coisas como: "mas elas não fazem mal pra ninguém", "lagartixas comem insetos, deixa elas em paz", "não tem porque ter medo, lá em casa tem uma que mora debaixo da geladeira, demos o nome dela de Rodolfo"; olha, melhor nem continuar lendo esse texto. Vou te mandar ir à merda sem dó. É sério.

Vocês conseguem imaginar minha reação? Foi uma coisa mais ou menos assim:

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Segui o protocolo padrão, que consiste em gritar minha mãe pra vir matar a porcaria do animal. Quando minha mãe chegou no quarto, a lagartixa se assustou e se escondeu atrás das caixas. Foi aí que fodeu tudo.

A boa notícia é que minha mãe conseguiu matar a lagartixa. A ruim é que a maldita (a lagartixa, não minha mãe) tinha duas irmãzinhas. A pior ainda, é que as duas fugiram.

Deu-se início ao desespero. Procurei na internet o que eu podia fazer pra matar esses bichos ou, pelo menos, expulsar eles do meu quarto. Resultado? "Dormi" com a luz acesa, uma cebola e uma cabeça de alho espalhadas pelo quarto. Reza a lenda que o cheiro forte afasta elas. Na verdade, o cheiro é tão forte que pode afastar qualquer tipo de ser vivo. Não duvido que as árvores criem pés e saiam correndo pra fugir do cheiro do alho e das cebolas. Quanto ao "dormir", simplesmente não aconteceu. Passei a noite olhando pro teto e pras paredes, procurando lagartixas.

Desde esse dia, nunca mais abri a janela do meu quarto. Comprei 600ml de essência de citronela pra colocar e naftalina pra pendurar na grade da janela e na porta. Decidi trocar todos os móveis do meu quarto. Perdi duas noites inteiras de sono, dormi miseravelmente nas outras. Perdi o controle da minha vida

UM ADENDONão, eu não sou o tipo de riquinha mimada que pode trocar os móveis do quarto sempre que der na telha. Eles já estavam bem ruins e eu estava juntando dinheiro há bastante tempo pra trocá-los. Quando esse desastre todo começou, eu já tinha o dinheiro suficiente, mas estava com pena de gastar tudo de uma vez com móveis. Demorei tanto pra juntar o dinheiro que gastar ele de uma vez só me dava uma sensação de desperdício, sabe? A situação foi só o estopim que eu precisava pra fazer o que devia ser feito. Meu guarda roupa antigo tinha uma abertura de uns 4cm na parte de trás (o fundo dele estava estufado e acabou soltando do guarda roupa, veja bem) e eu fiquei com medo de que a lagartixa tivesse entrado por essa fresta.

No total, achei 9 lagartixas em casa depois dessas três. Meu pai achou uma. Minha mãe esconde o número, provavelmente pra não me deixar mais nervosa. Numa dessas vezes, fui acender a luz do meu quarto e ela estava bem próxima do apagador. Vocês entendem meu pânico? EU QUASE COLOQUEI A MÃO NAQUELE TROÇO ASQUEROSO! Quando saí correndo desesperada, ela se escondeu e meus pais acharam que eu estava tendo alucinações. Quando eu finalmente consegui achar a lazarenta, comecei a gritar meus pais e dizer que não estava louca. Sim, chegamos a esse ponto.

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Moral da história: nunca julgue o medo de alguém. Por mais bobo que possa parecer, ele pode prejudicar a saúde mental e a rotina da pessoa de maneiras inimagináveis.

E se você sabe de algum remédio/técnica pra matar ou espantar lagartixas, pelo amor ou ódio que você tem à tudo desse mundo, deixa escrito nos comentários. Ajudem a amiguinha a voltar a ter uma vida normal.

22 as 14

Ou "A adulta que se recusa a crescer"
Ou ainda "Garota normal de 22 anos"

Quando eu era criança (era?) gostava de imaginar como a vida seria quando fosse adulta. Me imaginava no auge dos meus 25 anos, recém casada, morando numa casa com janelas grandes e cheia de porta-retratos no aparador. Madura, responsável, bem sucedida. Aos 22, ainda me assusta pensar que tenho que realizar tudo isso em menos de 3 anos pra sanar todas as expectativas da Natália criança - sendo que, na realidade, eu estou bem mais próxima da Natália de 14 do que da Natália de 25.

Nossa Natália, 25 está mais perto de 22 do que 14. Você não sabe contar?

Na realidade, não sei mesmo #soudehumanas. Mas vou te apresentar algumas coisas que me aconteceram hoje que provam que a "minha matemática" não está tão fora de lógica assim.

ATAQUE FANGIRL

Ontem foi dia de Grammy. Todo ano eu dou uma acompanhada de leve nos ganhadores só pra ficar por dentro do assunto no Twitter, mas não me importo muito. Mesmo gostando de ouvir uns pops de vez em quando, meu amor ainda está nos rockzinhos da vida e esse tipo de premiação, em sua maioria, caga pros álbuns/bandas de rock. Porém, ontem foi diferente. Ontem, Cage The Elephant subiu ao palco pra receber o prêmio de disco do ano por Tell Me I'm Pretty. E que discão da porra, meus amigos.


Eu fiquem ansiosa antes da premiação, ouvi o álbum sem parar, gritei aqui em casa quando descobri que eles tinham ganhado, publiquei naquela rede social lá (aka Facebook), falei sobre isso no Twitter, dei a louca. Digna de uma fã de Justin Bieber Baby Baby Baby. 

E isso porque ouço essa banda desde janeiro.
Sim, janeiro desse ano.
Sim, faz pouco mais de um mês.
Sim, eu perdi o controle da minha vida.

Se você ainda não ouvi esse discão, clica aqui pra ouvir AGORA. Isso é sério, ouve mesmo. Pela nossa amizade e tals.

A LOUCA DOS SIGNOS

Essa noite sonhei que minha mãe estava grávida e que eu tinha ficado em casa arrumando as coisas pra quando ela chegasse com o bebê. Foi um sonho muito louco, mas o mais estranho é que eu tinha um pouco de consciência real durante o sonho. Eu pensava como se estivesse acordada, mesmo a situação toda sendo irreal demais.

E tudo o que eu conseguia pensar era "Puts, hoje é 13 de fevereiro. Minha irmã vai nascer aquariana! Tinha que ser aquariana? Será que não dá pra segurar o parto, sei lá?"

Não, não era importante que eu estivesse sozinha em casa, à noite, com as luzes falhando, as janelas e as portas todas abertas, uma puta tempestade se aproximando e minha cachorra (que já morreu) brigando comigo por causa de um tapetinho de pelúcia. O que importava era o signo solar da "minha irmã". Prioridades.

E eu nem vou contar como eu sabia qual era o dia exato do mês, porque é muito vergonhoso.

E PRA FINALIZAR

Uma foto publicada por Natalia Oliveira (@natalia.lvr) em

Devo lembrar que tudo isso aconteceu em menos de 24 horas.

Sabe quando você lê um livro da Paula Pimenta e se identifica?
E se pergunta "Meu Deus, o que que eu tô fazendo da minha vida?!"?
Estamos assim.

Gato preto

Hoje, em plena sexta feira, um gato preto cruzou meu caminho.

O pessoal encarregado da limpeza e manutenção no lugar em que eu trabalho adotou alguns gatinhos e fazem uma vaquinha todo mês pra comprar ração pra eles. Eu não sei há quanto tempo eles moram lá, mas sei que desde 2010 eu tenho o prazer de observar os hábitos dos gatos quando passo pelo estacionamento. Nem sempre são os mesmos: uns fogem, outros morrem e alguns simplesmente somem de lá sem que a gente fique sabendo o que aconteceu. Há mais ou menos 2 anos, sempre vejo os mesmos dois: um branco com uma mancha preta-cinza-dourada-loira e um preto com os olhos verdes. E é desse último que eu vou falar.

O da esquerda gosta de ficar em cima dos carros e o da direita prefere ficar embaixo deles. Cada um com suas preferências.

Hoje, quando desci do ônibus, percebi que eu tinha esquecido mina carteirinha funcional e as chaves do lugar onde trabalho em casa. Mandei mensagem pra minha colega e, pro meu azar, ela estava a 20 minutos de distância. Estava revirando minha bolsa, esperando que a chave surgisse lá dentro, quando olhei pra cima e vi essa bolinha preta passando na minha frente. Não tinha ninguém atrás de mim, ninguém na minha frente. Só tinha um caminho reto, bem definido, que o gato burlou ao passar entre os arbustos. Um gato preto cruzou meu caminho.

Aproveitei a falta de sorte (de ter esquecido a chave) pra passar na cantina. Comprei uma esfirra de frango, sem nenhum resquício de azeitona dentro (como eu odeio azeitona!). Desci pra esperar minha amiga - e a chave - em frente a sala e encontrei a moça da limpeza terminando de fechar a porta. "Se você chegasse um minuto depois, não me achava aqui", foi o que ela disse. Aproveitei a deixa e entrei. Terminei minha esfirra, liguei o computador e comecei a trabalhar. Li todos os meus e-mails sem passar raiva - o que podemos considerar um milagre - e consegui terminar de escrever os dois documentos que precisava entregar. Na hora do almoço tinha estrogonofe, claramente uma das minhas comidas preferidas. Passei no supermercado e encontrei a pasta de dente que minha mãe estava procurando há uns 3 meses.

Ah, e na hora de ir embora pra casa:

Alegrias de pobre: ônibus vazio e quinto dia útil.
Você esperava que eu tivesse um dia de azar? De acordo com a cultura inglesa, gatos pretos são sinais de boa sorte.

A não ser que você maltrate eles. Sério, nunca maltrate um gato preto. Caso contrário, isso pode acontecer com você.

Quem escreve


Natália, 22 primaveras. Libriana, asc. em áries e lua em câncer. INFP. Chocólatra. Música, principalmente indie rock e alternativa (ou mais ou menos isso). Algumas séries, poucos filmes, muitos livros. Mistura trágica entre Chandler Bing e Nick Miller. Antissocial, mother of ursinhos de pelúcia disruptivos e futura crazy cat lady.


natalapses@gmail.com