14 de janeiro de 2017

Eu nunca

. fiz uma tatuagem
Apesar de ter muita vontade de ter uma tatuagem, nunca tive coragem de fazer uma. Muita gente tem medo da dor, mas não é muito o meu caso: meu maior medo é o arrependimento. Como toda libriana, eu sou bastante indecisa e desde quando eu decidi que queria uma tatuagem já mudei de ideia centena de vezes. Se eu tivesse feito todas as tatuagens que eu jurava que queria fazer, hoje eu teria:

- um coração vazado na parte interna da coxa esquerda;
- a sigla EBPM na barriga (significa "east bay punk mafia" e todos os integrantes do Green Day tem essa tatuagem em algum lugar do corpo);
- a frase "get dressed jump out of bed and do it best" na parte da frente da coxa direita (de uma música do The Strokes);
- a frase "you think it's over" no braço direito e "but it just began" no braço esquerdo (de uma música do Avenged Sevenfold);
- "grl pwr" na parte de trás do braço esquerdo;
- uma flor em aquarela na costela esquerda, com o cabinho da flor formando a palavra "freedom";
- uma nota musical (tipo essa ♪) no pulso esquerdo;
- reticências no pulso direito;
- um gato preto atrás da orelha direita;
- o símbolo do naipe de espadas no dedo do meio da mão esquerda;
- uma libélula no meio das costas;
- um desenho qualquer em cima do cofrinho (provavelmente um tribal);
- um triangulo vazado na parte de cima do braço esquerdo;
 
Dessas todas, eu talvez não teria me arrependido da "grl pwr", do gato preto, das reticências e da libélula. Não vou nem comentar a tribal, quem nunca? Se arrepender de uma tatuagem deve ser uma coisa péssima e o risco é ainda maior pra alguém que gosta de mudar de ideia, que nem eu. Por isso eu nunca tive coragem de fazer uma. 

Fotos do meu painel de tatuagens no Pinterest

No momento, essas são as tatuagens que estão na minha lista. Vamos ver quanto tempo a ideia delas parece boa e, quem sabe um dia, eu faça alguma.

. fiquei de porre
Eu não me considero uma pessoa que bebe muito. Primeiro porque quase nunca saio pra lugares onde as pessoas costumam beber e também não tenho o hábito de beber em casa, e segundo porque eu sou bem chata pra bebida. Não consigo beber vodca sem morrer de sono, licor deixa um gosto ruim na minha garganta por dias, batidas geralmente me deixam enjoada e não suporto o cheiro dessas cervejas mais populares (tipo Skol, Brahma, etc). Sim, sou fresca. A coisa que eu mais gosto de beber e que menos me faz mal é whisky (exceto Red Label, que me dá azia). 

Quem costuma beber - ou ao menos reparar nas prateleiras do supermercado - sabe que uma garrafa de Jack pode custar mais de 120 golpinhos, uma dose costuma custar mais ou menos 20. Logo, não é uma coisa que eu possa beber todo dia. Sem contar que não é o tipo de coisa que você bebe de qualquer jeito - o ideal é ter um copinho quadrado, com a base mais larga, pedrinhas de gelo e guardanapinho no fundo. Ok, o guardanapo é frescura, mas o resto é sério. Beber whisky quente no copo de plástico não rola.

Sendo assim, nunca tive vontade e/ou condição aquisitiva pra ficar de porre. O que, de certa forma, é muito bom pois só @deus sabe o que a Natália bêbada seria capaz de aprontar.

. me interessei por maquiagem profissional
 Pelo que eu me lembro, eu fui a primeira menina da escola a usar maquiagem. Não, eu não fui a primeira a usar batom rosa ou a fazer aquelas bolinhas com blush aka maquiagem de festa junina, todas as meninas já usavam isso desde a primeira série. Mas eu fui a primeira a surrupiar o lápis creon preto da minha mãe e chegar na escola com a cara toda borrada. Em minha defesa digo que minha internet era discada e não tinha como procurar "makeup tutorial" no YouTube e que minha coordenação motora nunca foi das melhores. O fato é que eu queria ficar parecida com a Roberta, do RBD e com o Billie Joe, do Green Day.

Referências
Depois disso, a maioria das meninas começou a se interessar por sombras e delineador e eu perdi a vibe do lápis preto. Até hoje, o máximo que passo na cara é uma base, corretivo, máscara pra cílios e batom. Não sei usar sombra, não sei esfumar o olho. Já tentei usar delineador gatinho e, mesmo conseguindo fazer um que não ficasse tão cagado, eu sempre acabava batendo a mão no olho e borrando tudo. Não vou nem entrar no mérito dos contornos, pois até hoje não sei pra que diabos serve um iluminador.

. viajei pra fora do país
Uma das coisas mais legais que a internet fez foi mostrar pras pessoas que fazer uma viagem internacional não é uma realidade tão distante assim. Hoje eu tenho noção de que você não precisa ser rico pra fazer isso mas, mesmo assim, ainda rola aquele medinho. A vontade está aqui, só falta perder o medo, juntar uma grana e fazer a logística da coisa virar realidade. Outra noção muito legal que eu ganhei com a internet é que os destinos desse tipo de viagem não se resumem só a EUA e Europa. A América do Sul tá cheia de lugares super lindos e com muita história pra contar. Os países que estão no topo da minha lista são Peru, Argentina, Chile, mas isso não faz com que eu não queira visitar uns países mais clichês como a Inglaterra e a Alemanha. Ah, e a China, mas a história dessa vontade fica pra outra hora.

. aprendi a dançar
 Quando eu era criança (bem criancinha mesmo) eu gostava muito de dançar. Inclusive, boatos dizem que existe um vídeo meu dançando na boquinha da garrafa em 1996. Não sei exatamente quando eu decidi que ia ser o tipo de pessoa que não dança, mas eu não danço. A última tentativa foi no início do ano passado, quando eu entrei pra uma academia que tinha aula de dança. Era bem legal, só que eu era péssima e isso talvez tenha diminuído bastante minha autoestima (não nego, nem confirmo). Meu único problema com isso é que eu gosto de umas músicas que dão muita vontade de dançar (tipo I Bet That You Look Good on The Dance Floor, do Arctic Monkeys). Eis que eu não sei dançar, mas meu corpo quer dançar e a minha falta de habilidade faz com que eu fique mexendo pros lados e tremendo como se eu estivesse sofrendo um ataque epilético.

Desculpa Ian, péssimo exemplo
Esse é o segundo post do desafio das 52 Semanas. Pra saber mais e ver os outros posts do desafio clique aqui.

7 de janeiro de 2017

Coisas que me fazem ficar feliz

Ano novo, projetos novos. Desde antes de ter o LAPSOS eu tenho vontade de fazer o projeto 52 semanas (também conhecido na www como 52X5). É um projeto bem simples: são 52 temas para os quais devemos listar 5 respostas. A lista completa de temas você pode conferir aqui.

. silêncio
Sabe quando você chega em casa e não tem ninguém? Quando você consegue dormir sem seu vizinho ligar o som no último volume? Quando você tem uma folga no trabalho, ou um feriado, e consegue ficar na sua casa a tarde inteira, sozinha, só curtindo o silêncio? Não existe prazer maior. Barulhos em geral me perturbam muito. Quando eu estou em lugares barulhentos minha cabeça fica tão zonada que nem consigo ouvir meus próprios pensamentos - e isso me deixa MUITO irritada. Não vou fazer a hipócrita e dizer que sou super silenciosa, não sou. Na verdade, eu queria falar bem mais baixo do que realmente falo e ser menos estabanada, pra evitar derrubar as coisas e fazer aquele tipo de barulho que faz todo mundo olhar pra saber o que tá acontecendo.
Inclusive, a frase "para de gritar, caraleo!" está constantemente em minha mente. Posso não dizê-la com tanta frequência, mas ela está sempre por aí. 

. comida
Eu tenho a péssima mania de comer até não aguentar mais e quase passar mal. Péssimo hábito, eu sei. Não estou dizendo que isso é saudável, ou que todo mundo deveria fazer isso, mas ninguém pode negar que é muito bom e muito prazeroso. Como diria a rainha Shonda Rhimes, "Não deixe ninguém dizer a você que comida não funciona. Qualquer um que diga que comida não funciona é ou idiota, ou mentiroso, ou jamais comeu. [...] Funciona. Colocar comida por cima dos problemas funciona". Se Shonda disse, está dito.

. conhecer músicas novas
Sou bem chata com música. Siga minha linha de raciocínio: eu gosto de silêncio → quando há música, não há silêncio → logo, para que eu goste de uma música ela deve ser mais prazerosa do que o silêncio (que, pra mim, é muuuuito prazeroso). Ter que ouvir sertanejo universitário é a morte, ainda mais quando tem gente cantando (leia "gritando") junto. Consigo ouvir funk desde que a batida não seja muito alta, a pessoa não cante gritando e a letra seja engraçada ou ofensiva para moralistas. É, não me orgulho disso. Toda essa seletividade faz com que eu tenha uma baita dificuldade em achar bandas novas que me agradem. Logo, quando eu acho uma banda nova, meu coraçãozinho fica todo alegre e saltitante.
Inclusive, desde já agradeço aos meninos do The Cookie Collector por me apresentarem uns indies legais ♥

. internet
Ah, a internet. Essa mar onde navegamos em meio a belos peixes dourados e algumas bostas (porque todo esgoto vai dar no mar, quem assistiu Procurando Nemo sabe disso). Se você não sabe fazer alguma coisa, a internet te ensina. Esqueceu alguma coisa? A internet te lembra. Quer se divertir? A internet oferece mil e uma opções. Acho que o que eu mais gosto na internet é a possibilidade de filtrar o que você quer e não quer ver. Viu alguém fazendo/falando merda e não quer passar raiva? Block, unfollow, nunca mais visitar essa página, baixar uma extensão do navegador pra bloquear esse tipo de conteúdo - opção é o que não falta. Fora que tem Netflix, Spotify, memes e blogs maneiros.

. papelaria
_ Natália, o que você quer ganhar de presente de aniversário/natal?
_ Pode ir numa papelaria e comprar qualquer coisa que tiver lá dentro.
A pessoa compra um lápis.
Eu: aimeudeusquelápislindo ♥.♥
Preciso explicar mais alguma coisa?

5 de janeiro de 2017

O futuro de uma mulher adulta

Pra "me preparar" pra esse ano, eu fiz todo tipo de simpatia e ritual que consegui encontrar. Fiz meu mapa astral com as previsões, tirei o tarot pros próximos seis meses e anotei as partes principais, tirei runas, comi lentilha, passei o ano com o pé direito no chão.

Se você está me julgando aí do outro lado da tela, eu não te culpo. Isso tudo parece burrice até pra mim. Inclusive, alguns desses rituais esotéricos dizem que é impossível prever o futuro e que as informações que eles trazem são baseadas no presente. Tudo pode mudar. Então, porque gastar tanto dinheiro, energia e tempo com essas coisas?

A única explicação plausível que eu encontrei é que agora eu sou adulta. Quando você é criança, sua vida é um conjunto de decisões dos seus pais e tudo o que der errado é culpa deles. Depois que você cresce e começa a dar conta dos seus próprios boletos, a vida fica mais difícil. É você quem tem que puxar a rédea, guiar a vida, tomar decisões. É tudo muito mais difícil do que parece e eu não tenho a mínima ideia de como fazer. Estou 100% perdida.

Pra você ter uma ideia, semana passada minha mãe perguntou onde estava a minha carteirinha do convênio médico e eu não sabia. Ontem, perdi minha carteira de motorista - e eu jurava que ela estava na capinha do meu celular (na capinha do celular!! É assim que adultos guardam documentos importantes?). Também ontem, fiz cerca de 10 operações no caixa eletrônico pra tentar pagar um boleto. Minha prima - que tem quase a mesma idade que eu - está grávida do segundo filho enquanto eu continuo entrando em pânico sempre que uma criança fica olhando pra mim.

Vou repetir: 100% perdida.

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Fazer todas essas previsões e simpatias me trazem a falsa sensação de que você tem tudo sob controle. Ok, tomarei cuidado com as minhas finanças. Não, não vou me iludir com relacionamentos de uma noite. Sim, vou tomar cuidado com pessoas estranhas em lugares desconhecidos. 

Vai ficar tudo bem.

Tudo sob controle.

Eu consigo me manter viva.

(acho)

Você pode estar pensando "ah, mas essa sensação é falsa", "você está vivendo uma ilusão" e etceteras, mas a questão é que achar que você pode fazer alguma coisa te dá segurança para, de fato, fazer a tal coisa. Você realmente acredita que pessoas que pulam de paraquedas acham que podem cair? Claro que não. Eles tem certeza de que vão consegui chegar ao chão em segurança e é por isso que elas pulam. 

E é por isso que eu faço as previsões, pra ter certeza de que vou chegar no final do caminho em segurança.

Na vida adulta não tem muito espaço pra dúvidas, sabe?

 É uma pena.
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